terça-feira, 23 de novembro de 2010

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 ' Sempre só mais um homem,mais um humano,mais um fraco..Sempre...Só mais um braço,Mais um corpo, Mais um grito,Sempre...Dança em mim,mundo,vida,fim.. e quase morri dentro de mim. '
                                                                                         *

Naquela tarde de Outono,não consegui passar por ti e seguir o meu trilho habitual até casa,sem parar e contrariar a força.Desapareci para te ver e na necessidade de parar tudo por momentos não fui nem estive para mais nada nem ninguém,na primeira vez em anos que te fui visitar sozinha,agora que já não te receio. Conheces-me bem por isso já esperavas este encontro,sem aviso nem marcação, na espontaniedade que reprovas mas que te enternecia. Chego perto do frio onde agora repousas, porque apesar de acreditar que depois da morte és finalmente o pássaro livre que não foste em vida e estás longe,é lá que sinto a tua presença e me recordo dos traços e de como sendo opostos,conseguimos ser tão parecidos.
Sempre que me vês lavada em lágrimas,lanças um olhar reprovador a mais uma humana,mais uma fraca...
'Eu avisei-te que não se pensa nem se fala com o coração. agora sofre e aprende de vez até voltares a ser mais cabeça.',dizes. Tu,duro, achavas que eu era feita de porcelana para sentir e Amar assim,tudo a dobrar,na exaustão.
Não respondo,lanço um soluço sufocado e sofrido pelo fracasso que é assistir ao desenrolar de algo que já se devia ter transformado e consolidado em mim,o meu calcanhar de aquiles.
Lembro como o avançar do tempo reforçou o teu caractér autoritário que via regras em todas as atitudes, disciplina em todos os actos, falhas em todos os que amavas num livro que começas a ler pelo fim se não começas por procurar o melhor em cada um,num feitio austero e conservador,que tapava um eu que já tinhas deixado fugir. Cresci com o pavor de errar um passo e de não te saber adivinhar entre o sentido de o bediência, na calma apática e monótona que me transmitias, nesse sentido de vida linear que é impossivel sair um mílimetro fora dos eixos de coordenada.
Nunca te perguntei directamente se tinhas orgulho em mim por não saber se queria ouvir a resposta depois de tanto me guardar e isolar dentro da bola de sabão que me pôs longe de outra parte do mundo, pela vontade de te agradar e de me admirares como eu admirava aprender com as diferenças. Nunca tiveste iniciativa para me abraçar ou congratular,e eu não era madura o suficiente para ver Amor em palavras se a seguir não são acompanhadas de gestos. Cresci com a voz firme que me fez determinada e desafiou-me a controlar a vontade, a dosear a intensidade, e a não viver rápido demais,sem medir o que calco,sem olhar ao que me rodeia. sem respirar fundo, Uma e outra vez.
Quando te levaram,zanguei-me contigo por me teres abandonado sem me ensinares tudo o que tinhas prometido e com Deus por se ter esquecido de mim á chuva e me ter tirado o meu chão. Desde esse dia, a saudade fez-me ver a tua filosofia como rota, e já sem me ouvires, perguntei - ' quem es tu afinal? do que te vale agora?se soubesses que ias morrer,tinhas contido tanta vida e tanto amor?'.
 Desde esse dia,renasci com outro ensinamento distinto do teu porque nós somos em parte o que a educação nos traz e durante muito tempo não quis ser como tu, achava-te perdedor, um desperdicio de felicidade.
Saí da concha onde me protegias, transformei-me em borboleta que voou atrás da luz e pintou todas as ruas e todas as pessoas. Não me sentei, Agi mais, dei mais por isso fui alvo de mais erros também,os tais que podia ter evitado se te seguisse as pisadas e parasse para observar. Quem fica quieto,nunca falha. Fiquei com estes dois lados marcados em mim,a vida e a calma, a vontade e a ponderação, como uma dupla personalidade, em debate e em construção para chegar a um ponto de equilibrio onde sou eu e opto por um ou por outro no momento certo.
Borboleta que derivou freneticamente e viaja onde apesar de tudo já não me inventavas como a tua menina, a tua aluna, a tua filha, a tua amiga do sorriso fácil.
Borboleta que esta noite regressa ao lar onde me afagas os cabelos claros e segredas que tudo vai ficar bem,com a compreensão de quem um dia também já foi assim. Mesmo sem estares aqui, dás-me a mão ao me veres deixar vencer pelo cansaço e agonia de sonhar e querer demais em intenções genuínas mas mal expressadas no nada vulgar que também pode ser a liberdade. Borboleta que pousa as asas...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

L'huo provatto sulla mia pele *

Saio de mim para me sentar a esculpir e a moldar o que um dia virá a ser a minha estátua enquanto lábios selados dizem o meu nome como se me fosse estranha.  Enquanto mãos nervosas, um olhar agitado se entrecruzam  na expressão descontrolada do coração, agarro pinceladas da arte do meu jeito irrequieto e apaixonado,dificil de esconder. Risadas de outras danças que fiz, curvam-se para emoldurar a tela que repousa já no chão e as manchas que se alastram pelas paredes deste quarto vazio e se confundem com as marcas pesadas do que já foi, as saudades do que nunca chegou a ser e a alma leve para o que ainda está para chegar.
Nâo estou debruçada a olhar para os pontos de interrogação que aparecem com a sensatez e me querem roubar sem sucesso, antes faço um esforço para, pondo de parte todos os teoremas, dar de caras com as palavras incorrectas que sem querer escolhi e as atitudes que não tive o sangue frio para tomar. Conheço as minhas falhas melhor do que as minhas virtudes, até ao ponto de ser capaz de as enumerar a todas e descrever a razão da incompreensão que mas fez proferir. Nesse segundo, sou fraca ao ponto de me ajoelhar e pedir para que, ainda que de vez em quando, a vida nos deixe desenhar com uma borracha que apaga numa só passagem a desilusão e reforça a alegria que guardo cá dentro.
Num murmúrio, peço-te para fechares a porta, dares a volta á chave e assim silenciares as vozes e as sentenças do mundo, deixando os gritos mudos que me inundam o adormecer, do outro lado da escuridão. Quando te aproximas, já mergulho na minha imagem pairada sob este poço fundo que espelha o meu reflexo impávido e sereno á verdade assustadora que acabei de enfrentar e me curou da cegueira. Páro, desiquilibro-me para trás e abro os olhos, com o rosto ainda molhado mas a paz de quem agora se conhece melhor e se aceita, com lágrimas que são de alívio. Convido-te a ir buscar a liberdade para fazer o mesmo só para no momento a seguir te poder dizer com um sorriso ' Bem vindo a ti. Bem vindo a ti, mais uma vez'.Para encher este quadro de cor, antes tive de saber o que era a dor. Para ser capaz de retratar um amanhecer, antes tive de me ver amanhecer. Assim, esta noite, deixei o quadro ao relento e deitei-me com a esperança de que a chuva desgaste riscos que traçei sem dever e a tinta escorra pelas ruas em que já me perdi e fui feliz .
Amanhã, todos fazemos de conta que somos telas em branco prontas a serem pintadas com as cores mais autênticas e reais que a vida,quando a amamos, consegue oferecer. Amanhã, os sonhadores não são obrigados a acordar, só porque amanhã... tudo ganha sentido.

terça-feira, 20 de julho de 2010

To give.



Desceu sob os paralelos da rua dos sós, durante a madrugada já longe, debaixo do olhar atento das estrelas e da lua cheia. Era demasiado tarde e demasiado cedo para chegar a casa, não sem antes desaparecer só mais um pouco, mas esta noite, ela não se deixa contagiar. Caminha sem pressa porque nada a espera, e de forma que só consegue ouvir o som dos sapatos, sentir o respirar sereno e ver a linha do horizonte e o contraste das luzes da cidade no rio.
Embrulhada num manto de força, é tão fraca que só desvenda os cabelos compridos que caem em cascata sob os ombros magros mas num jeito tímido tapa-se logo a seguir. Quer uma alma perfeita a exteriorizar um corpo perfeito ou mais vale nem dizer o nome. Escrava do seu próprio esconderijo, não a ensinaram como se faz para cuidar e como se morre só a abraçar.
Não expõe as mãos vazias sem ter como contrapartida algo em troca nem dá sem ser por obrigação. Negoceia a venda de ilusões e expectativas com quem jura oferecer mais garantias. Movimenta-se sempre numa zona segura como se estivesse constantemente a pisar um campo de minas. Procura o conforto, não sente o chão descalça e sem ser com almofadas.
Como uma boneca de porcelana é pálida porque foge do sol, e frágil ao toque porque parte com facilidade. Quebrada, já não é completa e nunca ninguém vai querer perder tempo a unir os cacos.
O pierrôt apareceu hoje, para depois de ouvir as pulsações dela lhe dizer que um coração em branco não pode correr riscos. Trouxe tulipas brancas, inspiração, e disse-lhe que todos ficamos mais bonitos quando nos mostramos e não usamos maquilhagem. Ele nunca saberá mas interiormente ela desejou ser como ele.
A viver em contradição, sabe que a magia só aparece para quem acredita em ilusionistas, só pode querer confiança quem também confia, só recebe quem também é corajoso para dar. E saber dar é saber dividir emoções, multiplicar alegria e partilhar canções.
Num rodopio, seguir sem olhar para a bússola e não procurar os pontos cardeais faz com que o choro não seja tantas vezes escondido e um gemido tantas vezes contido.
Cinco minutos de tudo quando te deixas desmoronar.... e te dás.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fé.



Um dia, volto a ganhar fé, mas, de momento, é impossível acreditar que existe um Deus, bondoso e omnipresente. Acredito mais rápido num homem, tão defeituoso quanto eu, que nos olha a todos de um pedestal , satiriza com a dor e a doença  dos inocentes e leva ao colo os pobres de espiríto. A seguir lados opostos, tu por x, eu por y.
A necessidade de ter uma explicação para tudo e o conforto que dá justificar o inexplicavél leva a procurar e a confiar no transcendente só porque tudo o que é grande, normalmente, é tudo aquilo que não conseguimos sequer definir.
Esta noite, sonhei que para me castigares pelo meu atrevimento, me roubavas a voz. Chamava (sempre chamo) por ti, nas horas amargas e berro em plenos pulmões. Finges que não me reconheces os traços do mesmo modo que fazem as pessoas na rua quando estão demasiado atarefadas para quererem dar cinco minutos e um bom-dia a alguém. Encolhes os ombros e dás uma bofetada a todos os que, como eu , sentem-se mais seguros ao pôr a vida e a morte, juntas, nas tuas mãos. Mas sabes bem que muda, e até um tanto mutilada, ainda tenho os meus olhos que pedem respostas, ao mesmo tempo que te ofereço a outra face para esbofeteares também. Não te admires porque é muito mais contra os meus príncipios mostrar apatia do que mostrar alguma revolta. Algum amor.
Hoje não te dá jeito ouvir, hoje não te dá jeito ajudar, hoje não te dá jeito abrir os braços, um pouco que seja. Cansa, exausta, dá-te muito trabalho.
Pequena demais para ser tolerante e ciente demais para ser sempre tão impaciente, não há onde me esconder a não ser na verdade, nua e dura, que não é mais do que o espelho do meu pavor pelo preto. Não espero por recompensas nem por ver as minhas preces reconhecidas, mas sim, espero por alguns sinais de que nada foi, não é, nem vai ser em vão. Entretanto, as minhas borboletas fotografam e gravam na minha memória imagens dos risos, do jardim, da bicicleta gasta, das peças de dominó e do xadrez que eu tanto insisti para aprender. È isto que os optimistas fazem, não são mudos mas fazem por ser cegos. Deixam-se levar pela nostalgia em vez de enfrentar a decadência.
Velas acesas para que numa espécie de milagre da medicina, se existes, te mostres e logo a seguir te vás embora sem tocar num fio que seja dos nossos cabelos.
O meu Deus são todos os meus anjos que são bem mais reais e autênticos do que as tuas promessas e as tuas políticas tão distantes e impenetravéis. Eles são perpétuos, são imunes, fazem parte do meu pequeno céu e tornam tudo á minha volta sagrado. Deixa o retrato tal e qual como está e pára, de uma vez por todas, de nos cortar as asas.

sábado, 26 de junho de 2010

In a manner of speaking ~





O silêncio é esmagador e deixa-me ilesa. O que sinto é frágil e é meu mas as minhas omissões equivalem a mentiras perante as quais estou cada vez mais impotente. Hoje , refugio-me nas palavras para confessar, sem pudor, que já não me bastam palavras. Já as esgotei, já tas dei, já mas levas-te todas no momento em que vi, finalmente, o quanto sou invisivel. No final, fiquei sem nada. E á espera do nada que não vem,já não anseio por falsa simpatia e estou cansada de eufemismos, porque esses vendaram-me os olhos e pintaram-me os lábios de vermelho.
Não conhecemos tudo e ninguém se deixa conhecer , na essência, tal e qual como é. Só percebemos o que vemos, tal e qual como queremos, e até isso é influenciado por momentos em que, por segundos, faço de conta que tenho a minha verdade e que estou de mão dada com a  minha liberdade.
Enquanto os gestos tiverem uma linguagem universal o meu esconderijo nunca vão ser frases e letras banais, que podem ser mais cultas mas não são mais genuínas, e até eu mesma sou incapaz de  fazer uma tradução justa e fiel.  Assim, abraçar um amigo é dizer que vamos estar presentes naqueles dias maus, dançar é expressar através do corpo o que o coração sente, cantar é querer arrancar sorrisos, tocar no braço é pedir atenção,  beijar o pescoço é o mesmo que susurrar que se deseja a pessoa amada.  Podem até ser só fracções de pequenas coisas, simples, sem arte ou engenho algum, mas, ao mesmo tempo especiais o suficiente para mudarem o dia e a vida de alguém que também seja especial o suficiente para as agarrar e não as querer desperdiçar. Não me querer desperdiçar.
Um pouco mais de alma enquanto encontro o meu próprio jeito de dizer tudo sem dizer... absolutamente nada.

quarta-feira, 16 de junho de 2010



" Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta. "


Gostava de hoje, por um dia que seja, suster a respiração e voltar a ser criança, outra vez. Só mais uma vez.
De regresso aos contos de fadas que nunca quis deixar de acreditar, á ilusão que teima em permanecer em mim, e ao mundo de algodão, em que todas as pessoas são transparentes e não carregam maldade.
Não há dor. Em parte, porque também não há amor. Só sonho e fantasia. Não se equacionam sentimentos, vivem-se. Não há obrigações, há só desejo. Não há medo, porque não há armadilhas onde cair.
As sabrinas de pontas de uma bailarina e uma já perdida caixinha de música a tocar, levam-me até ao sotão da minha mente , onde quadros a oléo empoeirados exibem retratos de uma menina que teve de dizer adeus antes do tempo. Fitas de seda cor-de-rosa atam estes dois patamares que ficam ténues de cada vez que sorris, simplesmente, da forma mais pura que já vi e como mais ninguém sabe fazer. Quando te olho, orgulhosa, da-me uma vontade tremenda de conseguir sorrir com esse mesmo significado.
Preserva a tua inocência o máximo de tempo que conseguires,porque nunca ninguém devia de apagar o que todos nós, TODOS, temos de mais... doce! :)


( Para a Joana, que será sempre a minha boneca. ) *

domingo, 6 de junho de 2010

*

Voltei ao meu labirinto. Fui ingénua o suficiente para acreditar que, tão cedo, ia encontrar o caminho certo, chegar á meta, á saída tão esperada. Em vez disso, estou de novo, no centro deste jardim gigante e tenho uma série de rumos á escolha e setas que chamam por mim, nas mais variadas direcções. Fecho os olhos e respiro. Paira um aroma doce a jasmim aqui, os ponteiros do relógio pararam e estou envolvida num silêncio submerso.
Recordo-me, por momentos, do quanto já ri ao lançar moedas ao ar e do que já apostei, por mera diversão. Ignorei cálculos, esquemas e probabilidades e deixei-me guiar por instintos e por intuições. De todas as vezes que fui louca, essa loucura foi paz.
Assim, a vida acaba por ser este jogo em que lançamos dados ou uma roleta russa onde nunca sabemos se temos e se somos ou não o número certo. Eu ainda não sei qual o meu número, o número que dita os meus valores e os meus pecados, os sorrisos que ofereci e as lágrimas que culposamente causei a alguém. Confiei que quando cá voltasse ia ser mais perspicaz para não ter de me entregar e de me vender ao destino, á sorte e ao acaso. Agora, aqui, temo as consequências de abrir a porta errada ou do que me espera do outro lado do muro. A chave que carrego comigo oferece-me um rol de possibilidades, tantas, que é duro ter de escolher e é dificil fazer esta travessia sem pisar nenhum obstáculo ou sem cair em alguma armadilha. Faço por ser prudente e cautelosa, enquanto que, aos teus olhos, não consigo transparecer mais do que a minha falta de destreza e o meu excesso de medo. Não te julgo, talvez eu não seja realmente especial que chegue. Talvez eu escolha a carta errada do baralho. Talvez a minha sina seja ficar presa aqui, no centro do labirinto, para sempre.
Mas, enquanto sei que é um enigma que tem de ser desvendado apenas por mim, e que é impossível atravessar um precipício em pontas dos pés, continuo a percorrer este espaço e a perder-me, umas vezes sem querer, outras vezes propositadamente. Afinal, as decisões mais sem sentido acabam por ser as mais correctas. Por isso, vou (sempre) aonde me leva o coração.

domingo, 23 de maio de 2010



Estava vestida de branco,
no dia em que me quises-te matar.
Quebras-te tudo o que para mim era encanto,
na hora em que me alvejas-te, assim, devagar.

Foi destino, foi castigo,
a mágoa quis-me roubar o ar.
Nem um pedido de socorro sofrido,
um susurro escondido ou um grito perdido,
te demoveu e fez pensar,
porque o teu crime preferido,
era matar-me, assim, devagar.

Podes, silenciosamente.
a minha solidão deu-te o perdão,
e entre o sorriso falso da gente,
o corpo treme e sente o chão.

Guarda as tuas armas,
não te vou punir ou condenar,
entre abismos e espadas,
já nem reconheço as nossas caras,
ou sequer o que é amar.
Perdi todos os sentidos,
segui, sem rumo, outra estrada,
escondi-me de ti noutros abrigos,
mas, frágil, nunca mais senti nada...
Desde o dia em que me quises-te matar.

sábado, 22 de maio de 2010

Hoje.

'ONTEM'.

ERA a tua calma e serenidade,
a equilibrar a minha ânsia de viver.
O teu abraço que traz saudade,
e um porto de abrigo para me proteger.
A tua maturidade e a minha inocência,
a minha pressa e a minha paciência,
em descobrir e ser descoberta,
e o quanto em ti me queria perder...
São retratos em sépia,
de uma cidade que era a nossa,
Numa caixa de segredos bem guardada,
São notas soltas de uma canção,
numa noite, na minha memória tão preservada.



HOJE.

È ter o meu próprio mar.
È morrer vezes sem conta,
nascer de novo em todas elas,
chorar, acreditar e arriscar.
Caminhar sozinha e dizer-te adeus,
saber que não tenho mais para te dizer ou ensinar.
È acordar comigo ao lado,
trocar o certo pelo incerto,
Ter o coração num aperto,
e o desejo em ser de novo encontrada,
porque o pouco é tudo,
quando não esperamos nada.

;)

segunda-feira, 17 de maio de 2010



Ontem, num daqueles domingos mais chatos e numa pausa no estudo de urbanismo, dei comigo a ler, como já hábito, letras de músicas, á espera de alguma com que me fosse identificar. Toda a gente conhece o manuel cruz e os projectos dele com da weasel, foge foge bandido e ornatos violeta. Mas não me bastava a música, quis explorar mais este homem que para mim, acaba por ser um poeta...Entre versos e mais versos, ficou-me na memória algumas palavras da música ' Tu não tens de mudar'. Alguem conhece? Vou partilhar convosco umas partes...


"...e dorme em paz que tu não tens,
de dar o teu sorriso assim,
esgotando o teu juízo assim,
tu não tens de mudar.
quem te quer mudar,
não te quer conhecer.
tu não tens de o fazer.

eu não tenho nada meu,
pois tudo o que era bom
foi na corrente do ter...
e agora dei-me um dia,
para ser feliz,
para ver que eu nunca vou ter,
o mundo na minha mão.
não tenhas pena de mim agora.
meus dias já não são de ouro.
dantes sim, existia um problema,
agora todos nós somos actores de cinema...
e escondemo-nos bem,
dos olhos que o mundo tem,
e toda a gente nos vê,
só não nos ouve ninguém...'


Eu PRECISAVA de ouvir isto. Quantas vezes, em inúmeras situaçoes da vida, nos fazem sentir, ainda que não de próposito, que as nossas filosofias são baratas, que as nossas escolhas são arriscadas, que os nossos ideais estão distorcidos e que a nossa pessoa devia... mudar. Mudança para mim sempre foi um pouco um sinónimo de evolução, de crescimento e acho que num mundo turbilhão como este, devemos tentar adaptarmo-nos uns aos outros, ligarmo-nos uns aos outros. Mas por mais que gostemos de voar, não somos borboletas em metamorfose, não é simples mudar porque não é suposto. È suposto ser-mos nós, com virtudes e com defeitos, é suposto ter falhas e mostra-las, é suposto não ser perfeito e não ser tudo o que quem está a nossa frente quer encontrar... Porque se assim fosse, nada era real, nada era genuíno.
Vamos preservar a essência que nos torna únicos, cada um de nós. Porque é isso que nos torna especiais e autênticos, ao mesmo tempo. Não nos limitemos nunca a ser ' actores de cinema', ou a escondermo-nos, como diz a canção, 'dos olhos que o mundo tem', e sobretudo de nós próprios.
Libertem-se. Sejam vocês, sem seguir modas ou esteriótipos. Vivam, com mais sabor, com mais amor, e a pôr mais vezes de lado o politicamente correcto ou as regras socialmente estabelecidas. Vivam para marcar, não só para agradar. Algures, há-de estar uma mão amiga, que vai encaixar, que nunca vai julgar e sobretudo nunca vai tentar mudar o nosso ser tão perfeitamente imperfeito.

:)

domingo, 9 de maio de 2010

Partir para ficar.



Tenho uma bomba relogio dentro de mim, presa ao coração.
Não anseio por a destruir, tenho é pressa em partir,
e relembra-me como morro se esperar mais.
Morro de ilusão e de desejo,
Morro de angústia e morro de medo,
Quando o mundo pede para ser abraçado,
e tu pedes para ser encontrado.
Não há tempo para despedidas,
nem lugar para recuar,
vamos viajar agora,
sem pensar, sem voltar.
Porque quando a espera não tem fim,
há distâncias sem razão,
Tenho uma bomba relógio dentro de mim,
presa ao coração.

sábado, 8 de maio de 2010

Chuva.




O dia está frio, cinzento, e chove incessantemente lá fora, como já nao acontecia ha muito. O meu estado de espirito não condiz com o tempo, porque não está triste nem melancólico. Por outro lado, uma vez que é um dia de recomeço para mim ( mais um ) é debaixo de chuva que quero dançar... Lava-me a alma, liberta-me de angustias e magóas, confunde-se com as lagrimas das minhas perdas e desilusões, apaga as pegadas que dei e que foram dar a um caminho errado. Molha-me o corpo, solta-me o cabelo e faz-me sentir com esperança de que hoje posso adormecer em paz e amanha acordar a ver o arco-iris.

sexta-feira, 7 de maio de 2010



Hoje o post é dedicado a um dos meus poetas preferidos : VINICIUS DE MORAES.
De tanto por onde escolher, decidi partilhar um poema que acho que é o mais adequado á fase da vida em que estou, neste momento. Chama-se ' Soneto do amigo' e diz assim... :)



"Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.


É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.


O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica... "

quarta-feira, 5 de maio de 2010


Apagam-se as luzes, abrem-se as cortinas vermelhas. Parece que cheguei a tempo do espectáculo.. Sento-me na última fila, no lugar do costume, porque pretendo manter-me despercebida aos teus olhos, não quero que reconheças o que resta de mim... È então que apareces e tomas conta do palco. Cedo percebo, que nunca precisas-te de mim ao teu lado, para brilhares. Pelo contrário, agora que a minha personagem está morta, a grande obra que é a tua vida, parece muito mais colorida.
Pausa. Se fechar os olhos, ainda consigo ouvir, como banda sonora, a música que me cantavas ao ouvido, para me fazeres adormecer...
Continuas lindo, amor. E eu continuo fascinada pela maneira simples e apaixonada como representas, pela pureza dos gestos e palavras, por seres péssimo a fingir seja o que for... Sinto-me pequena e insignificante no meio deste grande teatro, no meio desta multidão que, tal como eu, faz questão de te admirar todos os dias. A diferença é que eles participam na peça e aplaudem-te em pé no final, e eu sou uma mera observadora…
O pano fecha.
Rodo os calcanhares e volto para o mundo vazio e superfúlo que me espera. Aquele,ao qual, tu nunca pertences-te.





(Texto perdido entre páginas de diário, escrito há uns 3 anos atrás, mas que me diz muito...Por essa razão, é o primeiro que escolho publicar mas também o último que vou deixar aqui, associado a esses tempos, que agora me parecem tão remotos. )

First step.



Sempre gostei muito de escrever, e achei que já tinha perdido esse hábito com a habitual rotina diária, mas agora sei que é tempo de o reencontrar, porque me faz tão bem. Liberta, acho. Quem concorda? :) Nunca tive um blogue e conto-vos que tenho sempre uma teia de pensamentos a povoar-me a cabeça, e não sou a melhor pessoa a expressa-los, porque tropeço neles, tropeço nas palavras.
Mas, apesar de estar enferrujada, vou tentar deixar aqui uma marca de mim, a todos os que me conhecem , e aos que ainda vão conhecer ( pelo menos uma pequena parte, a melhor parte ), e dar-vos um pedaço dos meus dias e retratar as mais variadas coisas que me inspiram e que me cativam.Conto com a vossa ajuda! :) *