domingo, 23 de maio de 2010



Estava vestida de branco,
no dia em que me quises-te matar.
Quebras-te tudo o que para mim era encanto,
na hora em que me alvejas-te, assim, devagar.

Foi destino, foi castigo,
a mágoa quis-me roubar o ar.
Nem um pedido de socorro sofrido,
um susurro escondido ou um grito perdido,
te demoveu e fez pensar,
porque o teu crime preferido,
era matar-me, assim, devagar.

Podes, silenciosamente.
a minha solidão deu-te o perdão,
e entre o sorriso falso da gente,
o corpo treme e sente o chão.

Guarda as tuas armas,
não te vou punir ou condenar,
entre abismos e espadas,
já nem reconheço as nossas caras,
ou sequer o que é amar.
Perdi todos os sentidos,
segui, sem rumo, outra estrada,
escondi-me de ti noutros abrigos,
mas, frágil, nunca mais senti nada...
Desde o dia em que me quises-te matar.

sábado, 22 de maio de 2010

Hoje.

'ONTEM'.

ERA a tua calma e serenidade,
a equilibrar a minha ânsia de viver.
O teu abraço que traz saudade,
e um porto de abrigo para me proteger.
A tua maturidade e a minha inocência,
a minha pressa e a minha paciência,
em descobrir e ser descoberta,
e o quanto em ti me queria perder...
São retratos em sépia,
de uma cidade que era a nossa,
Numa caixa de segredos bem guardada,
São notas soltas de uma canção,
numa noite, na minha memória tão preservada.



HOJE.

È ter o meu próprio mar.
È morrer vezes sem conta,
nascer de novo em todas elas,
chorar, acreditar e arriscar.
Caminhar sozinha e dizer-te adeus,
saber que não tenho mais para te dizer ou ensinar.
È acordar comigo ao lado,
trocar o certo pelo incerto,
Ter o coração num aperto,
e o desejo em ser de novo encontrada,
porque o pouco é tudo,
quando não esperamos nada.

;)

segunda-feira, 17 de maio de 2010



Ontem, num daqueles domingos mais chatos e numa pausa no estudo de urbanismo, dei comigo a ler, como já hábito, letras de músicas, á espera de alguma com que me fosse identificar. Toda a gente conhece o manuel cruz e os projectos dele com da weasel, foge foge bandido e ornatos violeta. Mas não me bastava a música, quis explorar mais este homem que para mim, acaba por ser um poeta...Entre versos e mais versos, ficou-me na memória algumas palavras da música ' Tu não tens de mudar'. Alguem conhece? Vou partilhar convosco umas partes...


"...e dorme em paz que tu não tens,
de dar o teu sorriso assim,
esgotando o teu juízo assim,
tu não tens de mudar.
quem te quer mudar,
não te quer conhecer.
tu não tens de o fazer.

eu não tenho nada meu,
pois tudo o que era bom
foi na corrente do ter...
e agora dei-me um dia,
para ser feliz,
para ver que eu nunca vou ter,
o mundo na minha mão.
não tenhas pena de mim agora.
meus dias já não são de ouro.
dantes sim, existia um problema,
agora todos nós somos actores de cinema...
e escondemo-nos bem,
dos olhos que o mundo tem,
e toda a gente nos vê,
só não nos ouve ninguém...'


Eu PRECISAVA de ouvir isto. Quantas vezes, em inúmeras situaçoes da vida, nos fazem sentir, ainda que não de próposito, que as nossas filosofias são baratas, que as nossas escolhas são arriscadas, que os nossos ideais estão distorcidos e que a nossa pessoa devia... mudar. Mudança para mim sempre foi um pouco um sinónimo de evolução, de crescimento e acho que num mundo turbilhão como este, devemos tentar adaptarmo-nos uns aos outros, ligarmo-nos uns aos outros. Mas por mais que gostemos de voar, não somos borboletas em metamorfose, não é simples mudar porque não é suposto. È suposto ser-mos nós, com virtudes e com defeitos, é suposto ter falhas e mostra-las, é suposto não ser perfeito e não ser tudo o que quem está a nossa frente quer encontrar... Porque se assim fosse, nada era real, nada era genuíno.
Vamos preservar a essência que nos torna únicos, cada um de nós. Porque é isso que nos torna especiais e autênticos, ao mesmo tempo. Não nos limitemos nunca a ser ' actores de cinema', ou a escondermo-nos, como diz a canção, 'dos olhos que o mundo tem', e sobretudo de nós próprios.
Libertem-se. Sejam vocês, sem seguir modas ou esteriótipos. Vivam, com mais sabor, com mais amor, e a pôr mais vezes de lado o politicamente correcto ou as regras socialmente estabelecidas. Vivam para marcar, não só para agradar. Algures, há-de estar uma mão amiga, que vai encaixar, que nunca vai julgar e sobretudo nunca vai tentar mudar o nosso ser tão perfeitamente imperfeito.

:)

domingo, 9 de maio de 2010

Partir para ficar.



Tenho uma bomba relogio dentro de mim, presa ao coração.
Não anseio por a destruir, tenho é pressa em partir,
e relembra-me como morro se esperar mais.
Morro de ilusão e de desejo,
Morro de angústia e morro de medo,
Quando o mundo pede para ser abraçado,
e tu pedes para ser encontrado.
Não há tempo para despedidas,
nem lugar para recuar,
vamos viajar agora,
sem pensar, sem voltar.
Porque quando a espera não tem fim,
há distâncias sem razão,
Tenho uma bomba relógio dentro de mim,
presa ao coração.

sábado, 8 de maio de 2010

Chuva.




O dia está frio, cinzento, e chove incessantemente lá fora, como já nao acontecia ha muito. O meu estado de espirito não condiz com o tempo, porque não está triste nem melancólico. Por outro lado, uma vez que é um dia de recomeço para mim ( mais um ) é debaixo de chuva que quero dançar... Lava-me a alma, liberta-me de angustias e magóas, confunde-se com as lagrimas das minhas perdas e desilusões, apaga as pegadas que dei e que foram dar a um caminho errado. Molha-me o corpo, solta-me o cabelo e faz-me sentir com esperança de que hoje posso adormecer em paz e amanha acordar a ver o arco-iris.

sexta-feira, 7 de maio de 2010



Hoje o post é dedicado a um dos meus poetas preferidos : VINICIUS DE MORAES.
De tanto por onde escolher, decidi partilhar um poema que acho que é o mais adequado á fase da vida em que estou, neste momento. Chama-se ' Soneto do amigo' e diz assim... :)



"Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.


É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.


O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica... "

quarta-feira, 5 de maio de 2010


Apagam-se as luzes, abrem-se as cortinas vermelhas. Parece que cheguei a tempo do espectáculo.. Sento-me na última fila, no lugar do costume, porque pretendo manter-me despercebida aos teus olhos, não quero que reconheças o que resta de mim... È então que apareces e tomas conta do palco. Cedo percebo, que nunca precisas-te de mim ao teu lado, para brilhares. Pelo contrário, agora que a minha personagem está morta, a grande obra que é a tua vida, parece muito mais colorida.
Pausa. Se fechar os olhos, ainda consigo ouvir, como banda sonora, a música que me cantavas ao ouvido, para me fazeres adormecer...
Continuas lindo, amor. E eu continuo fascinada pela maneira simples e apaixonada como representas, pela pureza dos gestos e palavras, por seres péssimo a fingir seja o que for... Sinto-me pequena e insignificante no meio deste grande teatro, no meio desta multidão que, tal como eu, faz questão de te admirar todos os dias. A diferença é que eles participam na peça e aplaudem-te em pé no final, e eu sou uma mera observadora…
O pano fecha.
Rodo os calcanhares e volto para o mundo vazio e superfúlo que me espera. Aquele,ao qual, tu nunca pertences-te.





(Texto perdido entre páginas de diário, escrito há uns 3 anos atrás, mas que me diz muito...Por essa razão, é o primeiro que escolho publicar mas também o último que vou deixar aqui, associado a esses tempos, que agora me parecem tão remotos. )

First step.



Sempre gostei muito de escrever, e achei que já tinha perdido esse hábito com a habitual rotina diária, mas agora sei que é tempo de o reencontrar, porque me faz tão bem. Liberta, acho. Quem concorda? :) Nunca tive um blogue e conto-vos que tenho sempre uma teia de pensamentos a povoar-me a cabeça, e não sou a melhor pessoa a expressa-los, porque tropeço neles, tropeço nas palavras.
Mas, apesar de estar enferrujada, vou tentar deixar aqui uma marca de mim, a todos os que me conhecem , e aos que ainda vão conhecer ( pelo menos uma pequena parte, a melhor parte ), e dar-vos um pedaço dos meus dias e retratar as mais variadas coisas que me inspiram e que me cativam.Conto com a vossa ajuda! :) *