domingo, 10 de abril de 2011

Disorder, I feel to much

Hoje é mais uma daquelas noites que te invadem o cérebro e te rasgam por dentrourante a condução á deriva.O sono não vem enquanto gozas a tua concha, fumas lentamente á janela e te entregas á escuridão. Ser fraco ás escondidas, ser fraco na consciência de que esta não será a ultima vez que vais ter medo de ti mesmo e de todos os demónios que se deitam contigo num lento desmaiar, onde o amor não trouxe o exorcismo.
Deixamo-nos cair de costas no chão de azulejo escuro da cozinha, entre as garrafas vazias e a partilha de segredos, madrugada dentro.
Ninguém viu. Ninguém percebeu a troca de confidências, se em algo tão simples criamos um código de amizade nosso. Com as pessoas de quem gostamos, inventamos uma criação do que somos e do que temos,do jeito bonito que queríamos que fosse sempre.Uma especie de realidade virtual impenetravél. Conseguimos ser muito, ser múltiplos, ao mesmo tempo,num so acto ás vezes. Somos completos e fazemos de conta que somos perfeitos. Pode durar o tempo de um café, o de acabar um livro ou anos. o facto é que traz um frio na barriga idêntico a um dejá vu e ninguém o pode vivenciar em teu lugar. Nunca é repetitivo, ininterrupto nem tem hora nem lugar marcado. Sentas e esperas que as luzes gastas da noite te ajudem a experimentar esse estado de fuga de tudo e todos. Transe, anestesia.
Viemos embora sem saber se será só daquela vez ou se algum dia vamos voltar a ter aquele pedaço de poder sobre os ditames do tempo,controla-lo e pára-lo, sair dele, para ser mais. Sair de nós, atrasar os relógios ou  distorcer um fuso horário novo e só nosso. Matar o passado, não pensar no futuro.
A verdade é que, na altura, entre o ruído de gargalhadas e a envolvência, não damos conta da raridade porque parece tudo demasiado comum,como quando alguém nos conta uma história e nos distraímos do conteúdo para reparar nos traços do rosto, na conversa da mesa ao lado, nas bolas de fumo do cigarro que estamos a dividir ou nas ondas do mar.
Mas, em silêncio,é esse o alento do dia que querias que te batesse á porta. Alguém que faz de ti mais do que um holograma. No final sabes que será droga que vicia mas não mata. Não queres abandonar o sonho, porque sabes que para sentir, ainda que em demasia, é preciso não fugires de ti mesmo. Queres sempre mais e mais... *